
"Existe uma diferença entre ter uma clínica que funciona bem e construir uma empresa. Para crescer, foi preciso transformar conhecimento em processos, formar pessoas e criar uma cultura que pudesse ser compartilhada. Foi quando entendi que a Mulherez poderia ser muito maior do que a minha própria atuação como médica". A frase é de Mirelle Ossipi Ruivo, ginecologista, especialista em Medicina Estética e CEO da Mulherez, rede de clínicas de saúde feminina que opera em modelo de franquias e hoje está em cinco cidades, com a próxima unidade prevista para o Itaim Bibi, em São Paulo.
A decisão a que ela se refere é a que separa o profissional bem-sucedido do empresário: parar de depender da própria agenda e construir algo que funcione sem a sua presença em cada atendimento.
O que mudou na prática
A transição não aconteceu de uma vez. Ao longo da trajetória, Mirelle transformou a experiência acumulada no atendimento às pacientes em protocolos, processos de gestão, formação de equipes e um conceito de cuidado que pudesse ser reproduzido em diferentes cidades.
Com o crescimento, protocolos, gestão, treinamento, posicionamento de marca e desenvolvimento de equipes passaram a fazer parte de uma estrutura criada para que a experiência da primeira clínica pudesse ser reproduzida sem perder a identidade da marca. Foi essa organização, segundo a empresa, que abriu caminho para a expansão por franquias.
A clínica de origem
Tudo começou em uma pequena clínica em Cianorte, no interior do Paraná, aberta com o objetivo de ampliar o acesso das mulheres a tratamentos especializados, especialmente em saúde íntima e rejuvenescimento. Com os anos, o negócio amadureceu, incorporou novos procedimentos e passou por diferentes fases até a criação da marca Mulherez, pensada para reunir os tratamentos que já faziam parte da atuação da médica em uma proposta mais ampla de cuidado feminino.
"A Mulherez representa quem eu sou e aquilo em que acredito. Ao longo dessa trajetória, os projetos mudaram, a estrutura cresceu e novos caminhos surgiram, mas o propósito continuou sendo o mesmo: levar os melhores tratamentos para mulheres de todo o País e ampliar o cuidado com a população feminina", afirma.
O que a empresa vende hoje
Ao franqueado, a Mulherez oferece uma estrutura que contempla desde a implantação da unidade até treinamento, processos comerciais e administrativos, protocolos, acompanhamento de indicadores, posicionamento de marca e apoio à gestão. O modelo é voltado a médicos e empreendedores que querem atuar em saúde feminina sem construir a operação do zero, preservando os padrões de atendimento desenvolvidos pela rede.
O portfólio inclui ginecologia regenerativa, saúde íntima, cirurgias minimamente invasivas, ninfoplastia, tratamentos a laser, blefaroplastia a laser, procedimentos corporais e injetáveis, reunidos em um mesmo espaço. As unidades seguem um conceito que combina tecnologia, estrutura e ambientes pensados para acolher, com a experiência da paciente considerada desde o projeto dos espaços até os equipamentos usados nos tratamentos.
Onde a rede está
A Mulherez tem unidades em Cianorte, Maringá e Umuarama, no Paraná; em Guarulhos, em São Paulo; e em Jequié, na Bahia, esta recém-inaugurada. A chegada ao Itaim Bibi, um dos principais centros econômicos e de serviços de saúde do País, é apresentada como mais um passo da estratégia nacional.
O que vem depois do crescimento
Para a CEO, a dimensão do projeto já não pode ser medida apenas pelo número de unidades. A formação de profissionais, a criação de oportunidades para outros empreendedores e a possibilidade de levar o modelo de cuidado a novas cidades passaram a fazer parte da construção.
"Não construí apenas clínicas. Construí uma marca que hoje gera oportunidades, forma profissionais e pode levar cuidado a mulheres que talvez eu nunca conheça pessoalmente. Para mim, esse é o verdadeiro significado de deixar um legado.", diz Mirelle.