
Donos de clínicas odontológicas que avaliam se vale a pena investir em procedimentos estéticos têm um argumento de peso nos números divulgados pelo setor em 2026: entre janeiro e agosto, o faturamento gerado por esses tratamentos cresceu 36,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, ritmo superior ao próprio avanço no volume de procedimentos realizados.
O dado integra o Panorama de Mercado Clinicorp, levantamento da Clinicorp, software de gestão para clínicas odontológicas e de estética avançada com o maior número de clínicas odontológicas ativas do país.
Volume cresce, mas receita cresce mais
O número de procedimentos estéticos realizados em clínicas odontológicas e de estética avançada no Brasil subiu 27,3% no período. Em números absolutos, foram 169.801 procedimentos entre janeiro e agosto de 2026, contra 133.406 no mesmo intervalo de 2025. O recorte compara o mesmo conjunto de clínicas ativas nos dois períodos e considera faturamento bruto.
O fato de o faturamento crescer acima do volume de procedimentos é um indicador relevante para quem avalia entrar na especialidade, já que sugere ticket médio mais alto ou mix de procedimentos mais rentável dentro das clínicas que já atuam na área.
Mercado já é maioria em apoio, mas ainda minoria em oferta
A decisão de investir em estética dentro do consultório odontológico encontra respaldo entre os próprios profissionais. A Pesquisa Setorial do Conselho Federal de Odontologia (CFO) aponta que 80% dos cirurgiões-dentistas apoiam a integração de tratamentos estéticos à prática clínica. Ainda assim, apenas um pouco mais de um terço das clínicas oferece esse tipo de serviço atualmente, o que indica espaço de expansão para quem decidir entrar agora.
O contexto de mercado reforça esse potencial. O Brasil está entre os três maiores mercados de estética do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, segundo o Boston Consulting Group, que projeta crescimento global de cerca de 6% ao ano até 2028, com os procedimentos estéticos atingindo cerca de 50 milhões de consumidores no país.
Disputa regulatória não travou a decisão de compra
O crescimento ocorre mesmo em meio a um debate jurídico que poderia, em tese, gerar cautela entre gestores de clínica. No dia 19 de agosto de 2026, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu, por maioria, pela anulação da Resolução CFO nº 198/2019, que reconhece a Harmonização Orofacial (HOF) como especialidade odontológica, após recursos do Conselho Federal de Medicina e da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O CFO informou que discorda, vai recorrer e orientou os profissionais a manterem sua atuação nos procedimentos de HOF que integram sua área legal de competência.
Para Caio Carinhena, CEO da Clinicorp, o comportamento do mercado durante a disputa é um sinal para quem avalia o investimento: "Os números indicam um mercado que continua crescendo. Enquanto a discussão segue nas instâncias competentes, a demanda do paciente não parou, e o profissional precisa de estrutura para atender isso com previsibilidade e segurança".
Estrutura como parte da decisão de investir
Além do cenário de demanda, a decisão de entrar na especialidade também passa por estrutura técnica e de gestão. Carinhena reforça que tecnologia é suporte, não substituto, da qualificação profissional: "Tecnologia não substitui competência técnica. Ela dá ao paciente clareza sobre o que vai acontecer e ao profissional um registro do que foi combinado".
O executivo avalia que a demanda deve seguir aquecida enquanto o cenário regulatório se define nas próximas instâncias. A empresa também mantém no ar, em seus canais próprios, um manifesto público em apoio à atuação dos profissionais habilitados na especialidade. A questão que o setor acompanha agora é se o ritmo de crescimento registrado até aqui resiste às próximas instâncias da disputa.
Na prática, a Clinicorp já tem cerca de 3 mil clínicas usando suas soluções de inteligência artificial, incluindo o Clinicorp IA, que simula o resultado de procedimentos como preenchimento labial, preenchimento em masseter e zigomático, aplicação de toxina botulínica e protocolos de full face antes da execução do tratamento. A ferramenta também funciona como apoio à conversão comercial no consultório, já que reduz a barreira de decisão do paciente diante do plano de tratamento proposto. Para o gestor que avalia entrar ou expandir a atuação em estética, o conjunto de dados sugere que a decisão de investir em 2026 encontra tanto demanda quanto ferramentas de apoio disponíveis no mercado.