
Um estudo da C40 Cities em parceria com a IFC, com apoio da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), estima em cerca de R$ 5 bilhões o investimento necessário em infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil até 2035. O número dá dimensão a um mercado que ainda está longe de ter oferta suficiente de eletropostos para acompanhar o ritmo de vendas.
O país emplacou 215.023 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 125% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo a ABVE. Apesar do avanço, o Brasil tinha em junho apenas 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos, com 34% de carregadores rápidos (DC), uma proporção de 19,9 veículos plug-in por ponto de recarga, quase o dobro da referência de 10 para 1 considerada ideal pelo setor. Para investidores, a lacuna é a própria oportunidade.
Uma das empresas que já converteu esse diagnóstico em modelo de negócio é a Rota BR 101, que estrutura uma rede de eletropostos próprios ao longo da rodovia que liga os maiores mercados de carro elétrico do país, no Sudeste e no Sul. A primeira etapa prevê 20 unidades, com 100 carregadores DC de 120 kW, 200 conectores e 12 MW de potência nominal instalada, um investimento inicial que a companhia trata como validação de modelo antes de expandir.
"Começamos onde a frota está e onde a demanda já sustenta operação. A BR-101 liga os maiores mercados do carro elétrico do país, e é por eles que a rede entra. O litoral entre a Bahia e o Espírito Santo é a fronteira que a expansão alcança", afirma Victor Rabelo, sócio fundador e diretor de expansão da Rota BR 101.
O plano da empresa prevê 200 unidades ao total, todas construídas do zero em vez de aproveitar postos de combustível existentes, cuja desativação enfrenta processos de licenciamento mais longos. Cada unidade combina recarga com conveniência, cafeteria, área de permanência e painéis de mídia digital, com projeção de 150 clientes passantes por dia por unidade, o que sustenta receita para além da venda de energia.
Para quem decide alocar capital no setor, o recado do estudo é direto: os R$ 5 bilhões necessários até 2035 não vão se materializar sozinhos, e quem chegar primeiro aos corredores de maior densidade de frota tende a capturar a fatia mais rentável do investimento.