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Como falar sobre suicídio sem cair no sensacionalismo

Publicado em 03/09/2026 17:01

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Como falar sobre suicídio sem cair no sensacionalismo -  (crédito: PulseBrand)
Como falar sobre suicídio sem cair no sensacionalismo - (crédito: PulseBrand)

Falar sobre suicídio não é neutro. A forma como o tema é comunicado por empresas, órgãos públicos e veículos de imprensa pode fortalecer ou enfraquecer esforços de prevenção, segundo o psicólogo Rodrigo Toledo, psicólogo clínico com atuação em São Paulo, pós-graduado em Saúde Mental pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Para instituições que planejam ações de comunicação em setembro, esse ponto costuma ser subestimado.

O que caracteriza uma comunicação de risco

Sensacionalismo, simplificações, exposição inadequada e informações imprecisas podem produzir efeitos indesejados na cobertura ou na comunicação institucional sobre o tema. São práticas que, mesmo bem intencionadas, podem reforçar estigma em vez de reduzi-lo.

Por outro lado, comunicação responsável, com informação sobre ajuda, recuperação e formas de enfrentamento, pode ter papel protetivo. A diferença, segundo Rodrigo Toledo, está menos em falar ou não falar sobre o tema e mais em como essa comunicação é estruturada.

Por que reduzir o tema a fórmulas prontas é um risco

Um dos riscos mais comuns, segundo Rodrigo Toledo, é reduzir campanhas institucionais a frases motivacionais e publicações concentradas em poucas semanas, sem estrutura de acompanhamento real por trás, como canais de apoio ao colaborador ou encaminhamento a profissionais de saúde mental. "Não adianta dizer que precisamos falar sobre suicídio se a campanha não suporta ouvir as diferentes formas pelas quais o sofrimento aparece. Nem todo mundo sofre do mesmo jeito, nem pelas mesmas razões", afirma.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) trata o suicídio como fenômeno multifatorial, que envolve também fatores sociais, culturais, biológicos e ambientais, o que exige que a comunicação institucional trate o tema com essa mesma complexidade.

O que os números exigem das instituições

A escala do problema reforça essa exigência. O Brasil registra cerca de 14 mil suicídios por ano, mais de 38 casos por dia, segundo a ABP e o CFM. Boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde, com base no SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) do DATASUS, apontam números consolidados entre 14.000 e 15.500 óbitos anuais, o que resulta em uma média de 38 a 42 mortes por dia.

Relatórios da OMS, como o Preventing Suicide: A Global Imperative, apontam o Brasil como um dos poucos países das Américas com tendência de alta na última década, o que torna a qualidade da comunicação institucional sobre o tema ainda mais relevante para quem planeja campanhas e políticas internas.

Para instituições que planejam ações no Setembro Amarelo, o critério mais seguro, segundo Rodrigo Toledo, é priorizar informação precisa sobre ajuda e cuidado, evitando linguagem que simplifique ou espetacularize o sofrimento.

Na prática, isso significa que áreas de comunicação, RH e compliance deveriam tratar o Setembro Amarelo como parte de uma política de saúde mental mais ampla, com canais de escuta e encaminhamento definidos durante o ano todo, e não apenas como uma pauta de calendário editorial.

Segundo Rodrigo Toledo, campanhas institucionais que apresentam apenas frases de incentivo, sem indicar canais concretos de apoio psicológico ou médico, correm o risco de gerar expectativa sem oferecer caminho real de cuidado para quem está sofrendo.

Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, todos os dias, 24 horas.

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