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Usar o carro para quitar dívidas: as três contas que decidem se vale a pena

Publicado em 15/09/2026 12:47

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Usar o carro para quitar dívidas: as três contas que decidem se vale a pena -  (crédito: PulseBrand)
Usar o carro para quitar dívidas: as três contas que decidem se vale a pena - (crédito: PulseBrand)

Colocar um veículo quitado como garantia para pagar dívidas mais caras se tornou uma das saídas mais procuradas por famílias endividadas. A diferença de preço entre as modalidades justifica a busca, mas a decisão envolve mais variáveis do que a comparação entre taxas.

O ponto de partida é o tamanho do problema. Em julho, 82% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer, recorde da série da Confederação Nacional do Comércio, e o país somava 83,9 milhões de consumidores com restrição no cadastro, segundo a Serasa.

Do outro lado está a diferença de custo. O crédito pessoal sem garantia rodou entre 8,4% e 8,6% ao mês no primeiro semestre, de acordo com o Banco Central, o equivalente a mais de 160% ao ano. Operações com veículo quitado em garantia partem de patamares próximos de 1,09% ao mês mais IPCA. No rotativo do cartão, a taxa supera 400% ao ano.

A primeira conta a fazer é a do custo efetivo total. Além dos juros, a operação com garantia de veículo envolve avaliação do bem, registro do gravame no Sistema Nacional de Gravames e, em parte dos contratos, seguro. Esses custos tendem a ser mais baixos do que os de uma operação imobiliária equivalente, o que ajuda em dívidas de ticket médio.

A segunda é a conta do prazo. As operações com veículo trabalham com prazos de 12 a 60 meses. Um prazo mais curto reduz o total de juros, mas aumenta a parcela mensal na comparação com financiamentos mais longos. Quem compara apenas a prestação corre o risco de escolher a opção errada para o próprio orçamento.

A terceira conta não aparece em simulador. Se o orçamento mensal continua no vermelho, a troca apenas desocupa o limite das linhas antigas, que tendem a ser usadas de novo. A diferença é que agora existe um bem em garantia. Levantamento da Serasa sobre dez anos de inadimplência mostra que 42% dos inadimplentes atuais já estavam negativados em 2016.

“Quando a pessoa chega comparando parcela em vez de custo total, quase sempre a conta que ela fez está incompleta”, diz João Viríssimo, diretor da Nexus Credi, correspondente bancária especializada em crédito com garantia de veículo e de imóvel.

Existe também uma alternativa para dívidas maiores. Operações com imóvel em garantia trabalham com prazos de até 240 meses e taxas a partir de 1% ao mês, com valor médio de R$ 267 mil por operação. Para quem tem um patrimônio imobiliário disponível e busca alongar bastante o prazo, pode ser o caminho mais adequado, mas envolve avaliação, matrícula e registro em cartório, processo mais lento do que o do veículo.

A recomendação que atravessa as três contas é a mesma: pedir o custo efetivo total por escrito, comparar o valor final das operações e só então olhar para a parcela. A taxa é o primeiro número que aparece na proposta e quase nunca é o que decide.

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