
Para o gestor de logística que opera carga entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o prazo mais próximo não é o da obra, é o do sistema. A migração para a Declaração Única de Importação no modal terrestre tem dezembro de 2026 como limite, com exigência de catálogo de produtos previamente cadastrado e tratamento digital de licenças, permissões e certificados. Em paralelo, a ANTT reorganizou em 2026, pela Portaria SUROC nº 17/2026, o conjunto de acordos que regulam as autorizações do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas.
O calendário regulatório corre mais rápido que o das obras. A ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), de 1.294 metros e US$ 103 milhões, tem conclusão prevista para setembro de 2026; os acessos definitivos, para fevereiro de 2027; o centro integrado de controle de fronteira segue em montagem, sem data de inauguração.
“A gente vem se preparando para o corredor pela via documental, que é onde a operação trava de verdade. Certificação, habilitação e dado antecipado valem mais do que quilômetro economizado, porque carga parada em fronteira custa igual em estrada nova e em estrada velha”, afirma Lucas Vidal Cardoso, da Interlink Cargo, especializada em transporte rodoviário internacional de cargas no Mercosul.
O modelo que Porto Murtinho vai encontrar já opera em Uruguaiana: o Sistema VAI, desde setembro de 2025, exige cadastro prévio de veículos e motoristas, agendamento digital e certificado digital para acesso ao terminal aduaneiro. A fronteira cobra informação antecipada e completa, não carga posicionada na fila.
Na prática, a vantagem competitiva no corredor se decide antes da viagem: habilitações, licença originária, licença complementar no país de destino, certificações e preparo documental determinam quem cruza direto e quem fica parado.
“Uma ponte concluída não abre um corredor. O que abre corredor é a combinação de estrutura, acesso pavimentado e controle aduaneiro funcionando ao mesmo tempo. Enquanto esses três relógios não estiverem sincronizados, o ganho de tempo que se promete no mapa não aparece na operação”, diz o executivo.
A Interlink Cargo atua entre Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, tem certificação OEA Segurança desde 2023 e trabalha com carga química apoiada no SASSMAQ desde 2019.
Para a decisão do gestor, a ordem é essa: Duimp e habilitações em dezembro, ponte em setembro, corredor quando os três relógios se encontrarem.