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Requalificação pressiona empresas, e equipe de treinamento segue enxuta

Publicado em 23/09/2026 19:03

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Requalificação pressiona empresas, e equipe de treinamento segue enxuta -  (crédito: PulseBrand)
Requalificação pressiona empresas, e equipe de treinamento segue enxuta - (crédito: PulseBrand)

As empresas brasileiras estão treinando mais seus funcionários, sem ampliar na mesma proporção os recursos destinados a essa tarefa. Segundo a Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), foram aplicadas 26 horas de treinamento por funcionário em 2025, acima da média de 21 horas observada nos dez anos anteriores. O orçamento permaneceu em torno de 1,7% da folha.

A estrutura que produz esse conteúdo também não acompanhou a demanda: o levantamento aponta um profissional de T&D (Treinamento e Desenvolvimento) para cada 648 funcionários. É nesse descompasso que a Inspand, dona da plataforma de educação corporativa Neolude, posiciona o CRIAR, lançado no Campinas Innovation Week, entre 14 e 18 de setembro.

Uma agenda de requalificação até 2030

A tendência é de mais pressão sobre as áreas de capacitação. O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades exigidas pelo mercado vão mudar até 2030, o que aumenta a fila da requalificação nas organizações.

Na rotina das áreas de treinamento, o gargalo aparece no intervalo entre a mudança de um processo e a chegada do curso correspondente. Um exemplo ilustra a dinâmica: se um procedimento muda em março, o pedido chega à área em abril, a gravação encontra agenda em maio e o curso é publicado em junho, quando o procedimento já foi alterado outra vez. Nesse meio tempo, cada gerente transmite a própria versão às equipes.

A proposta da Inspand

O CRIAR organiza a produção de treinamentos em uma esteira na qual diferentes etapas são apoiadas por agentes de inteligência artificial. De acordo com a empresa, o modelo permite produzir um conteúdo com cerca de 10% do orçamento e 10% do tempo de uma produção tradicional. O conhecimento de quem domina determinado assunto pode virar curso sem que essa pessoa precise interromper o trabalho para lidar com roteiro, gravação, estúdio e edição.

"Toda vez que uma empresa vai produzir um conteúdo, ela precisa de roteirista, de designer instrucional, de revisor, de designer gráfico. Se for vídeo, precisa contratar ator e estúdio. A empresa que já tem esse time passa a produzir muito mais com ele. A que não tem passa a ter, com um agente virtual ali para atender cada demanda", diz Cristiano Franco, CEO da Inspand.

Com 31 anos de atuação, a Inspand nasceu como provedora de internet no interior paulista e desenvolveu o Neolude, usado por empresas como Natura, GOL Linhas Aéreas, FEBRABAN, Amil e Ipiranga. O CRIAR saiu do INLab, núcleo de inteligência artificial criado pela empresa em 2026.

Decisões seguem com as pessoas

No desenho da ferramenta, a IA assume tarefas que antes consumiam tempo e recursos de diferentes profissionais, e as pessoas permanecem responsáveis pelas decisões sobre o conteúdo. A publicação final fica nas mãos de um humano. O recurso de Inteligência Cognitiva, incorporado recentemente, analisa imagem, áudio e linguagem para dar a quem cria mais elementos de decisão.

Cristiano Franco foi embaixador da trilha "Impacto, Pessoas e Experiência" do evento, dedicada a inclusão, educação e futuro do trabalho. "A IA pode acelerar processos, ampliar nossa capacidade e nos permitir produzir muito mais. Mas tecnologia, sozinha, não transforma pessoas. O que faz diferença é o que fazemos com ela. E acredito que o resultado de uma pessoa trabalhando com IA será sempre melhor do que o da IA trabalhando sozinha", afirma.

Para as organizações que buscam requalificar funcionários em escala, o caminho sugerido pela empresa passa por encurtar o intervalo entre o conhecimento que já existe dentro de casa e o curso publicado, preservando o papel de quem decide o que vale a pena ensinar.

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