
Os cadastros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) são públicos, e quem os analisa encontra um setor que mudou de tamanho rápido nos últimos cinco anos. A VAROS, consultoria de investimentos autorizada pela CVM, é uma das casas que cresceram nesse período.
O Brasil tinha 2.433 consultores de valores mobiliários pessoa física em funcionamento normal em julho de 2026. O estoque cresce entre 22% e 27% ao ano desde 2023, e a marca de 1.000 registros só foi ultrapassada em 2022. As entradas anuais vêm subindo sem interrupção: 311 em 2022, 391 em 2023, 524 em 2024 e um recorde de 663 em 2025. Até 15 de julho de 2026 foram 403 novos registros e 102 cancelamentos.
Entre as pessoas jurídicas, as consultorias mais que dobraram em cinco anos, de 261 em 2020 para 593 em 2024, segundo dados da Mont Capital divulgados pelo NeoFeed, com mais de 400 delas em São Paulo. Pela contagem da CVM, o saldo líquido de empresas foi de 89 em 2024, 108 em 2025 e 51 até meados de julho de 2026. Do outro lado do mercado, são 26.092 assessores de investimento pessoa física ativos contra 2.433 consultores, uma proporção de 11 para 1.
O marco regulatório por trás da curva é a Resolução CVM 179, em vigor desde novembro de 2024, que passou a exigir que corretoras e bancos informem ao cliente quanto recebem com cada produto e enviem extrato trimestral de remuneração. Segundo Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS, o crescimento responde a essa mudança de informação.
"O crescimento é uma reação à mudança na transparência da cobrança. Quando o investidor passa a entender como o modelo comissionado funciona e que a assessoria não é de graça, a comparação favorece o modelo das consultorias, que são mais alinhadas ao objetivo do cliente", afirma Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.
Para quem decide onde alocar patrimônio, a faixa que concentra a disputa entre os dois modelos vai de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões, segundo a consultoria.
"A disputa real é pela faixa entre R$ 300 mil e R$ 30 milhões. Abaixo disso, o fee pesa mais do que o custo embutido; acima, a família costuma montar estrutura própria. É nessa faixa intermediária que o investidor já tem patrimônio suficiente para a estrutura de incentivo do profissional fazer diferença no resultado, e é onde tanto o cliente quanto a consultoria saem ganhando", diz Siqueira.
O crescimento, no entanto, não será contínuo: a mesma reportagem do NeoFeed projetou que metade das novas consultorias não deve sobreviver sem escala.