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Uso de IA chega a 17% das empresas brasileiras e alcança a gestão de academias

Publicado em 06/10/2026 15:21

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Uso de IA chega a 17% das empresas brasileiras e alcança a gestão de academias -  (crédito: PulseBrand)
Uso de IA chega a 17% das empresas brasileiras e alcança a gestão de academias - (crédito: PulseBrand)

A IA (inteligência artificial) ainda é realidade para uma parcela minoritária das empresas brasileiras, mas avança em ritmo consistente. A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), estima que 17% das empresas do país usaram algum tipo de IA em 2025. Entre as pequenas, com 10 a 49 funcionários, a proporção passou de 10% para 15% em um ano.

No setor fitness, esse movimento já aparece na operação de academias de médio e grande porte, de acordo com a Pacto Soluções, empresa de tecnologia para gestão de academias.

Em quais processos a IA é aplicada nas academias?

A Pacto identifica quatro frentes. Modelos de pontuação de risco cruzam frequência, engajamento e histórico de pagamento para indicar quais alunos têm mais chance de cancelar. A personalização da jornada ajusta mensagens, convites e ofertas conforme o perfil de cada aluno. A precificação dinâmica considera a ocupação por horário para equilibrar pico e ociosidade sem reduzir o ticket médio. Na área comercial, os dados orientam a priorização de contatos com maior probabilidade de matrícula e o acompanhamento do desempenho de cada consultor.

Em operações com mais de uma unidade, essas aplicações se estendem à gestão de redes de academias, em que os indicadores precisam ser acompanhados de forma consolidada e unidade a unidade.

Qual é a condição para que a adoção gere resultado?

A disponibilidade de informação organizada é o requisito central. Sem um histórico estruturado de frequência, contratos, pagamentos e vendas, os algoritmos têm pouco sobre o que trabalhar.

“A base de dados estruturada deixou de ser um diferencial operacional para se tornar um ativo de previsibilidade de receita”, afirma a Pacto. Na avaliação da empresa, academias com gestão orientada por dados conseguem antecipar oscilações de caixa e tomar decisões com menor margem de erro.

A experiência internacional reforça a importância do processo. Na pesquisa The State of AI 2026, da consultoria McKinsey, realizada com empresas de diferentes setores, 80% dos entrevistados relatam ganho de produtividade individual com a IA, mas 37% apontam efeito sobre o EBIT (lucro antes de juros e impostos). O grupo de melhor desempenho, cerca de 6% das organizações, redesenhou fluxos de trabalho em torno da tecnologia.

Por que o tema ganha peso no setor fitness?

O setor cresce sob restrições de custo. Segundo o relatório global de 2026 da HFA (Health & Fitness Association), com base em dados da ACAD Brasil (Associação Brasileira de Academias), a receita das academias brasileiras passou de US$ 0,99 bilhão em 2020 para US$ 2,97 bilhões em 2024, com 14,7 milhões de alunos. O mesmo estudo indica que a mensalidade de baixo custo pode representar até 10% do salário mínimo no Brasil, ante 1% a 2% nos Estados Unidos, em um ano iniciado com inflação perto de 5% e juros altos.

Na leitura da Pacto, a evasão de alunos  é um dos fatores que mais pressionam as margens das operações, o que torna a capacidade de antecipação um fator de gestão financeira.

Qual é o horizonte para a profissionalização?

A Pacto aponta os próximos 12 a 24 meses como janela decisiva para a profissionalização da gestão fitness no país. O setor tem base técnica para isso: no relatório da HFA, Ailton Mendes, presidente da ACAD Brasil, informa que mais de 90% dos negócios fitness brasileiros foram fundados por profissionais de Educação Física, que buscam de forma contínua ferramentas e conhecimento em administração. Na avaliação da Pacto, a adoção de IA no setor tende a acompanhar o ritmo de organização dos dados de cada operação.

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