
A adoção de inteligência artificial pelas empresas brasileiras cresceu em todos os portes, mas em ritmos distintos. A 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, conduzida pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), indica que a proporção de empresas que utilizam IA passou de 13% para 17% entre 2024 e 2025. Nas grandes, com mais de 250 funcionários, o índice subiu de 38% para 50%. Nas pequenas, com 10 a 49, de 10% para 15%. Foram ouvidas 4.174 empresas entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026.
O estudo também descreve a forma de entrada da tecnologia: 80% das empresas que usam IA adquiriram sistemas prontos para uso. O coordenador da pesquisa, Leonardo Melo Lins, observa que soluções digitais tradicionais já podem trazer aplicações de IA, sobretudo na simplificação de processos administrativos, e que o avanço reflete mais uma adaptação dos processos do que uma mudança estrutural. Para a GestãoPro, empresa brasileira de ERP (sistemas de gestão empresarial) fundada em 2009 em Manduri (SP), é por esse caminho que a IA deve chegar à gestão das empresas de menor porte nos próximos anos.
Finalidades distintas conforme o porte
As prioridades de uso variam com o tamanho da organização. Pesquisa do Sebrae com o FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), realizada com cerca de 5 mil empresas e divulgada em dezembro de 2025, mostra que a análise de dados lidera entre as médias e grandes, com 67%. Entre as micro e pequenas, a principal aplicação é marketing e divulgação (59%), e a análise de dados aparece em terceiro lugar, com 30%.
No universo dos empreendedores, a presença da tecnologia é mais ampla. Segundo a pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios 2026, do Sebrae com o Meta Instituto de Pesquisa, 52% usaram IA nas atividades do negócio nas duas semanas anteriores à entrevista, e 60% pretendem adotar ou ampliar o uso no semestre seguinte.
Da divulgação para os processos internos
Na gestão, a IA tende a começar por atividades repetitivas, como conciliação de dados, emissão de relatórios e organização financeira, e a avançar depois para aplicações analíticas, voltadas a identificar padrões de consumo, prever demanda e sinalizar riscos. A GestãoPro já aplica a tecnologia em seus serviços, entre eles um módulo web com IA que gera relatórios gerenciais com base no histórico de cada empresa.
“A inteligência artificial não substitui a gestão, mas amplia a capacidade de quem toma decisões. O dono do negócio continua decidindo. O que muda é a quantidade de informação organizada que ele tem em mãos na hora de decidir”, afirma Edson Souza, diretor da GestãoPro.
“A adoção tende a ser gradual. Começa pelos processos internos e avança para áreas mais complexas conforme a empresa ganha familiaridade com a tecnologia e confiança nos próprios dados”, diz Souza.
Governança de dados e organização do trabalho
A incorporação da tecnologia exige ajustes internos. De acordo com o Sebrae, 46% dos pequenos negócios precisaram desenvolver novos fluxos de trabalho para utilizar as ferramentas. No estudo com o FGV IBRE, 30% das micro e pequenas empresas declararam não ter nenhuma dificuldade com a IA, resultado que os pesquisadores associam, em parte, a um cuidado menor com dados sigilosos de clientes, matéria disciplinada pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
Na avaliação da GestãoPro, a qualidade dos cadastros, a definição de responsáveis pela conferência dos resultados e a observância da LGPD tendem a determinar o ritmo com que as empresas de menor porte reduzirão a distância em relação às grandes no uso da inteligência artificial.