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Efetividade de programas de integridade corporativa depende da integração entre diferentes pontos

Publicado em 08/10/2026 15:10

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Efetividade de programas de integridade corporativa depende da integração entre diferentes pontos -  (crédito: PulseBrand)
Efetividade de programas de integridade corporativa depende da integração entre diferentes pontos - (crédito: PulseBrand)

Com o Decreto 11.129/2022, os programas de integridade passaram a ser avaliados por critérios de efetividade, e não apenas pela existência de políticas e procedimentos formalizados. Para as empresas, a questão relevante passa a ser se canal de denúncias, código de conduta, treinamentos e checagem de fornecedores produzem resultado e se comunicam entre si.

A integração dessas frentes orienta o Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas, evento realizado pela clickCompliance e pelo Kronoos no dia 21 de outubro, em São Paulo, com profissionais de compliance, riscos, jurídico e governança.

Responsabilidade que alcança terceiros

A Lei Anticorrupção (12.846/2013) responsabiliza as empresas por atos lesivos praticados em seu interesse, inclusive quando cometidos por terceiros. Somada aos critérios do decreto, a norma coloca fornecedores, parceiros e intermediários no centro da análise de efetividade.

Para Alexandre Pegoraro, CEO do Kronoos, a avaliação de terceiros não pode se encerrar no cadastro. “Um fornecedor que não aparece em nenhuma lista restritiva hoje pode aparecer amanhã, e a relação com ele não termina no cadastro”, diz Pegoraro. “Due diligence feita uma vez e arquivada é uma fotografia; o risco de terceiros é um filme. Quando o monitoramento de sanções e o que chega pelo canal de denúncias olham para o mesmo terceiro, a empresa deixa de descobrir o problema pela imprensa e passa a agir antes.”

O descompasso em números

A 6ª Pesquisa Maturidade do Compliance no Brasil, da KPMG, publicada em 2024 com 106 organizações, mede a distância entre ter mecanismos e integrá-los à gestão. Entre os participantes, 92% mantêm canal de denúncias e 84% têm protocolo formal de investigação, mas 56% não utilizam métricas de compliance na avaliação de desempenho e apenas 25% aplicam metas de integridade a funcionários, executivos e terceiros ao mesmo tempo. A nota média de maturidade ficou em 2,84, numa escala até 5.

“Quase todas as empresas têm canal de denúncias, mas mais da metade ainda não leva métricas de compliance para a avaliação de desempenho”, observa Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance. “Isso mostra que a estrutura existe, mas não está conectada à gestão. E é nesse intervalo que a fraude encontra espaço.”

Indicadores que sustentam a avaliação

Segundo a ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), canais de denúncia, treinamento antifraude de gestores e monitoramento proativo de dados estiveram associados, cada um, a perdas cerca de 50% menores com fraudes internas.

Evidências de efetividade surgem quando uma frente alimenta a outra: temas recorrentes do canal orientando treinamentos, alertas sobre terceiros analisados junto à due diligence e indicadores de integridade levados à alta liderança com regularidade.

“Tecnologia não substitui cultura, mas permite enxergar o todo”, afirma Erthal. “Quando dados de treinamento, denúncias e due diligence de terceiros estão no mesmo lugar, o gestor deixa de reagir a casos isolados e passa a identificar padrões. É isso que transforma compliance de custo em ferramenta de decisão.”

Programação parte dos pontos de desconexão

A curadoria do evento é de Luciana Silveira, fundadora da GRC Fora da Caixa, que também media os painéis. “Quando montamos a programação, a pergunta não foi quais temas estão em alta, mas onde as áreas deixam de conversar”, conta. “É justamente nesses pontos de desconexão que surgem oportunidades para melhorar a gestão dos riscos.”

São quatro painéis: conflito de interesses e cruzamento entre autodeclaração e dados, inteligência artificial na triagem de denúncias, sanções internacionais e listas restritivas e integração entre gestão de terceiros e canal de denúncias. Participam executivos de organizações como TozziniFreire, Embraer, Fundação Butantan e Odebrecht Engenharia e Construção, e um diretor financeiro está entre os palestrantes.

Comprovar a efetividade de um programa de integridade, portanto, depende de mostrar que riscos detectados em uma área geram resposta em outra, com registros e indicadores que permitam acompanhar esse percurso.

Serviço: Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas

Quando: 21 de outubro de 2026, das 8h às 18h

Onde: Salas Brasil - Espaço Paulista, São Paulo

Realização: clickCompliance e Kronoos, com curadoria da GRC Fora da Caixa

Ingresso solidário: R$ 99,90, com renda revertida para instituição beneficente

Inscrições: https://www.eventocompliance360.com.br/

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