
Com o Decreto 11.129/2022, os programas de integridade passaram a ser avaliados por critérios de efetividade, e não apenas pela existência de políticas e procedimentos formalizados. Para as empresas, a questão relevante passa a ser se canal de denúncias, código de conduta, treinamentos e checagem de fornecedores produzem resultado e se comunicam entre si.
A integração dessas frentes orienta o Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas, evento realizado pela clickCompliance e pelo Kronoos no dia 21 de outubro, em São Paulo, com profissionais de compliance, riscos, jurídico e governança.
Responsabilidade que alcança terceiros
A Lei Anticorrupção (12.846/2013) responsabiliza as empresas por atos lesivos praticados em seu interesse, inclusive quando cometidos por terceiros. Somada aos critérios do decreto, a norma coloca fornecedores, parceiros e intermediários no centro da análise de efetividade.
Para Alexandre Pegoraro, CEO do Kronoos, a avaliação de terceiros não pode se encerrar no cadastro. “Um fornecedor que não aparece em nenhuma lista restritiva hoje pode aparecer amanhã, e a relação com ele não termina no cadastro”, diz Pegoraro. “Due diligence feita uma vez e arquivada é uma fotografia; o risco de terceiros é um filme. Quando o monitoramento de sanções e o que chega pelo canal de denúncias olham para o mesmo terceiro, a empresa deixa de descobrir o problema pela imprensa e passa a agir antes.”
O descompasso em números
A 6ª Pesquisa Maturidade do Compliance no Brasil, da KPMG, publicada em 2024 com 106 organizações, mede a distância entre ter mecanismos e integrá-los à gestão. Entre os participantes, 92% mantêm canal de denúncias e 84% têm protocolo formal de investigação, mas 56% não utilizam métricas de compliance na avaliação de desempenho e apenas 25% aplicam metas de integridade a funcionários, executivos e terceiros ao mesmo tempo. A nota média de maturidade ficou em 2,84, numa escala até 5.
“Quase todas as empresas têm canal de denúncias, mas mais da metade ainda não leva métricas de compliance para a avaliação de desempenho”, observa Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance. “Isso mostra que a estrutura existe, mas não está conectada à gestão. E é nesse intervalo que a fraude encontra espaço.”
Indicadores que sustentam a avaliação
Segundo a ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), canais de denúncia, treinamento antifraude de gestores e monitoramento proativo de dados estiveram associados, cada um, a perdas cerca de 50% menores com fraudes internas.
Evidências de efetividade surgem quando uma frente alimenta a outra: temas recorrentes do canal orientando treinamentos, alertas sobre terceiros analisados junto à due diligence e indicadores de integridade levados à alta liderança com regularidade.
“Tecnologia não substitui cultura, mas permite enxergar o todo”, afirma Erthal. “Quando dados de treinamento, denúncias e due diligence de terceiros estão no mesmo lugar, o gestor deixa de reagir a casos isolados e passa a identificar padrões. É isso que transforma compliance de custo em ferramenta de decisão.”
Programação parte dos pontos de desconexão
A curadoria do evento é de Luciana Silveira, fundadora da GRC Fora da Caixa, que também media os painéis. “Quando montamos a programação, a pergunta não foi quais temas estão em alta, mas onde as áreas deixam de conversar”, conta. “É justamente nesses pontos de desconexão que surgem oportunidades para melhorar a gestão dos riscos.”
São quatro painéis: conflito de interesses e cruzamento entre autodeclaração e dados, inteligência artificial na triagem de denúncias, sanções internacionais e listas restritivas e integração entre gestão de terceiros e canal de denúncias. Participam executivos de organizações como TozziniFreire, Embraer, Fundação Butantan e Odebrecht Engenharia e Construção, e um diretor financeiro está entre os palestrantes.
Comprovar a efetividade de um programa de integridade, portanto, depende de mostrar que riscos detectados em uma área geram resposta em outra, com registros e indicadores que permitam acompanhar esse percurso.
Serviço: Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas
Quando: 21 de outubro de 2026, das 8h às 18h
Onde: Salas Brasil - Espaço Paulista, São Paulo
Realização: clickCompliance e Kronoos, com curadoria da GRC Fora da Caixa
Ingresso solidário: R$ 99,90, com renda revertida para instituição beneficente
Inscrições: https://www.eventocompliance360.com.br/