
Para empresários que buscam um sócio-investidor, há uma diferença importante entre receber recursos e receber recursos acompanhados de método. É nesse segundo modelo que se posiciona o empresário alemão Julian Salz, que vive no Brasil e passou a direcionar parte crescente de sua atuação a empresas brasileiras.
Em vez de atuar apenas como consultor externo, Salz pretende identificar negócios em que seja possível combinar três elementos: capital, experiência operacional e acesso a mercados internacionais. O veículo para isso é a SAROS GROUP, desenvolvida ao lado da empresária brasileira Beatriz Salz.
O que o investidor leva além do capital
A contribuição operacional se apoia em uma convicção construída na prática: a de que o crescimento pode ser sistematizado. Para Salz, vendas, liderança, posicionamento, processos, indicadores e execução funcionam melhor quando integrados, formando sistemas que tornam a expansão mais previsível e replicável.
Na leitura dele, as empresas brasileiras já contam com criatividade e com um mercado dinâmico. O ganho potencial está em somar a isso estruturas mais sistemáticas de vendas, gestão, liderança e planejamento, adaptadas à realidade local e não importadas prontas da Alemanha.
Histórico de resultados
O empresário fundou a SALTYBRANDS, agência que construiu do zero e levou a faturamento multimilionário em euros em período relativamente curto. A empresa esteve entre as de crescimento rápido em seu segmento na Alemanha, Áustria e Suíça e teve repercussão em veículos como Handelsblatt e Forbes, antes do exit.
Depois, como consultor estratégico externo, Salz trabalhou próximo de outras duas agências que também alcançaram vários milhões de euros em pouco tempo. Foi a repetição do resultado em empresas distintas que, segundo ele, consolidou o método.
Acesso à Europa como diferencial
O terceiro elemento da proposta é a ponte com o mercado europeu. Quando produto, serviço e mercado são compatíveis, a empresa investida pode avaliar uma entrada efetiva na Europa, com adaptação de posicionamento, comunicação, vendas, aspectos tributários e jurídicos e cultura de negócios.
Segundo o empresário, o peso dessa receita varia com o porte. Em empresas médias e maiores, ela pode se tornar um motor relevante de crescimento e reduzir a dependência exclusiva do mercado brasileiro. Em empresas menores, geridas pelos próprios donos, a relação cambial entre euro e real tende a refletir mais diretamente também nas finanças e no padrão de vida do empreendedor.
O objetivo não é deslocar o negócio para fora, mas criar uma fonte adicional de receita em euro que diversifique a exposição cambial e possa ser reinvestida na operação brasileira. Salz mantém atividades empresariais na Europa, o que, em sua visão, transforma a estratégia em uma conexão entre os dois mercados, e não em uma escolha entre eles.
A aposta no país, segundo Salz, tem também um componente pessoal. Nascido e criado na Alemanha, ele escolheu conscientemente viver no Brasil, diz se sentir em casa e admirar as pessoas e a cultura, e pretende desenvolver aqui parte importante de seus próximos projetos.
Para quem procura um investidor estrangeiro disposto a participar da gestão, o perfil descrito por Salz é o de quem entra com capital, mas também com processo, indicadores e acesso a novos mercados.