
A opção de compra de dólar dá à empresa o direito, e não a obrigação, de comprar a moeda a um preço definido numa data futura. Ela funciona como um seguro: a empresa paga um prêmio e, se o dólar subir acima do preço contratado, exerce o direito. Se não subir, perde apenas o prêmio pago.
O instrumento ganha relevância no intervalo entre os turnos da eleição presidencial. Em 5 de outubro, o dólar caiu 4,12%, a R$ 5,0022, e o mercado passou a trabalhar com um cenário principal para 25 de outubro. Quando o consenso converge, a proteção contra o cenário contrário tende a ficar mais barata.
“Quando o mercado coloca quase todo o peso em um resultado, a proteção contra o outro fica barata. É nesse momento que a mesa compra a camada de cauda, não depois da pesquisa que muda o quadro”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.
Opção ou NDF: qual usar em cada parcela
Para o diretor financeiro, a decisão não é escolher um instrumento, é combinar os dois. O NDF fixa o preço e é a base da proteção: para o importador, cobre a maior parte das parcelas de novembro e dezembro. A opção cobre uma fração menor, a camada de cauda, para o cenário em que o dólar devolve parte da queda.
“Com o dólar na casa de R$ 5,00, o importador fecha em NDF as tranches de novembro e dezembro e deixa uma parcela pequena em opção de compra com vencimento depois de 25 de outubro. Custa pouco porque quase ninguém está pagando por esse cenário agora”, diz Teixeira.
Para o exportador, a lógica se inverte: a opção de venda define um piso para a parcela da receita que não foi fixada em NDF.
“Dois pontos de diferença no primeiro turno dizem que o segundo ainda é eleição, não evento precificado. A carteira tem que estar desenhada para a manhã de 26 de outubro nos dois resultados”, afirma o executivo.
O desenho é parte do hedge em camadas. Na GX, que reúne mais de R$ 2 bilhões em volume estruturado, o dimensionamento passa pelo Auron IA, tecnologia própria no aplicativo do cliente. A opção, portanto, não substitui o NDF: protege a parte que o NDF deixa aberta.