
A decisão de ampliar o investimento em mídia paga costuma ser tomada com base no desempenho dos anúncios. Um elemento anterior, porém, condiciona o resultado: a qualidade da presença digital que recebe o visitante. Sem um site preparado, o clique pago tende a não se converter em contato comercial.
A avaliação é de André Baumer, fundador da Tempus Tech, agência de Joinville (SC). “O mesmo anúncio rende mais ou menos conforme o site que recebe o clique. Se a página demora a abrir ou não deixa claro o que a empresa oferece, a pessoa volta para a busca, e o dinheiro daquela visita já foi gasto”, explica.
Os requisitos de um site que gera contatos
Segundo o especialista, quatro requisitos indicam se um site está apto a receber tráfego pago: velocidade de carregamento, apresentação imediata da oferta, canal de contato visível e funcionamento adequado em telas de celular. Cada um atua em um momento diferente da visita, do primeiro segundo de carregamento até a decisão de entrar em contato. “Um site que converte carrega rápido, mostra a oferta logo na primeira tela, deixa o contato pelo WhatsApp à vista e funciona bem no celular, que é por onde a maioria das pessoas chega”, afirma.
O que mostram os dados sobre velocidade
O estudo “Milliseconds Make Millions”, conduzido pela Deloitte (2020) a pedido do Google com marcas da Europa e dos Estados Unidos, mediu o efeito da velocidade em sites acessados pelo celular. Uma melhora de 0,1 segundo no carregamento elevou em 8,4% a taxa de conversão no varejo. Em sites voltados à captação de contatos, a proporção de visitantes que avançou da primeira etapa do formulário até o envio cresceu 21,6%.
O acesso móvel reforça a exigência. De acordo com a TIC Domicílios 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 65% dos usuários de internet no Brasil acessam a rede exclusivamente pelo telefone celular.
O retrato das empresas brasileiras
A TIC Empresas 2025, também do Cetic.br, aponta que 56% das empresas com dez ou mais pessoas ocupadas mantêm site próprio e que 41% pagaram por anúncios na internet em 2025. Entre as que venderam online, 80% utilizaram WhatsApp ou outro chat como canal de venda, e 32% recorreram ao site da empresa.
Baumer, que atua com criação de sites em Joinville, defende que o site seja tratado como etapa do plano de marketing anterior à campanha, e não como ajuste posterior.
Custo do anúncio e papel do SEO
A preparação do site ganha relevância diante do custo da mídia paga. Relatório da Meta à SEC (Securities and Exchange Commission, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) registra alta de 12% no preço médio por anúncio nas plataformas do grupo no segundo trimestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. Um site bem estruturado também sustenta o SEO (Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de busca), que permite à empresa ser encontrada no Google sem pagar por clique. “O anúncio traz resultado imediato, e o SEO trabalha no médio prazo. À medida que o site ganha posição na busca, a empresa continua sendo encontrada sem pagar a cada acesso, e a dependência da mídia paga diminui mês a mês”, analisa Baumer.
Antes de ampliar o orçamento de anúncios, a recomendação é verificar se o site cumpre os quatro requisitos: carregamento rápido, oferta clara, contato visível e boa experiência no celular. “Antes de aumentar a verba, vale olhar para onde o cliente está sendo levado. Quando o destino está preparado, o anúncio passa a trabalhar a favor da empresa, e o SEO ajuda a reduzir o custo de cada novo cliente ao longo do tempo”, conclui.