Networking e Negócios

Saúde mental das mulheres está no centro do trabalho de Elaine Taboada

Publicado em 20/10/2026 12:30

PulseBrand

P
Saúde mental das mulheres está no centro do trabalho de Elaine Taboada -  (crédito: PulseBrand)
Saúde mental das mulheres está no centro do trabalho de Elaine Taboada - (crédito: PulseBrand)

A psicóloga Elaine Taboada tomou posse em agosto como acadêmica imortal da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura, na cadeira 29 do colegiado de Ciências da Saúde, cuja patronesse é a terapeuta norte-americana Virginia Satir (1916-1988). O registro consta na página oficial de acadêmicos. Radicada no Rio de Janeiro, Elaine concentra seus projetos no cuidado com mulheres e famílias, tema que os dados oficiais mais recentes colocam em evidência.

O que dizem os dados

Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, aumento de 15,66% em relação a 2024. As mulheres responderam por 63,46% das concessões. No plano internacional, o relatório World Mental Health Today, divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em setembro de 2025, estima em mais de 1 bilhão o número de pessoas com transtornos mentais e aponta que as mulheres são desproporcionalmente afetadas.

Outro indicador oficial trata do trabalho não remunerado. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2022 as mulheres dedicaram em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens registraram 11,7 horas. Os números reforçam a relevância de abordagens voltadas ao público feminino na saúde mental.

Abordagem sistêmica

O trabalho de Elaine segue a linha da terapia familiar sistêmica, da qual Satir é referência. Nessa perspectiva, o sofrimento individual é observado dentro das relações familiares, com atenção à autoestima e à comunicação. O objetivo é identificar padrões que se repetem entre gerações e interromper essa repetição. As mulheres estão no centro, mas o atendimento inclui a família, com casais e homens entre os pacientes.

Satir, que dá nome à cadeira, foi reconhecida internacionalmente como terapeuta, palestrante, trainer e escritora. Defendia que a cura passa por restaurar a comunicação, fortalecer a autoestima e criar relações mais autênticas, e é conhecida pelo método de reconstrução familiar, que revisita a história de gerações anteriores para compreender padrões que se repetem. Seu trabalho foi um dos modelados por Richard Bandler e John Grinder na criação do Meta Modelo e de técnicas básicas da PNL (Programação Neurolinguística).

A ligação com Elaine está em outro aspecto da obra de Satir, pioneira no olhar sistêmico e no cuidado com o feminino. Esse cuidado é a base do trabalho da psicóloga, e é esse legado que Elaine se propõe a continuar.

“Ter uma vida saudável e feliz é entregar ao mundo uma vida melhor do que a que recebemos”, diz.

Estrutura de atendimento e comunidades

Em 2023, Elaine fundou o Instituto Integrativo AlmaÚnica, clínica focada em saúde mental, emocional e treinamento com conceito boutique de bem-estar na Barra da Tijuca, e uma comunidade de mulheres que funciona online, com alunas no Brasil e no exterior e encontro coletivo mensal. No Rio, há encontros presenciais com rodas de conversa, a Confraria, mesa de negócios entre mulheres que se reúne em um restaurante, e o Clube Terapêutico. Desde 2024, ela é anfitriã da Aliança Divergente e lidera, de forma voluntária, a comunidade Cariocas Divergentes. Somadas, segundo a psicóloga, essas comunidades reúnem 3 mil pessoas. A missão, segundo ela, é apoiar mulheres e famílias na construção de lares e negócios saudáveis. A comunidade, o Clube Terapêutico, a academia e a Confraria são voltados a mulheres; o Instituto AlmaÚnica e a Cariocas Divergentes recebem todos os públicos.

Trajetória

A trajetória de Elaine passou por três etapas distintas. Na primeira, formada em Administração, atuou por 23 anos em recursos humanos, finanças e marketing, com foco em performance, carreira e negócio. Como gestora de RH, manteve o autoconhecimento como eixo central e, desde 2010, realizou centenas de cursos de desenvolvimento humano.

Na segunda, depois de deixar o ambiente corporativo em 2018, iniciou em 2019, aos 42 anos, a atuação como terapeuta. Nesse início, depois de diversas formações terapêuticas, a experiência veio da pesquisa ligada ao câncer e do método da troca justa.

Na terceira, realizou o sonho de cursar Psicologia, que havia ficado em segundo plano. A graduação começou durante a pandemia e foi concluída em 2024. São formações distintas, ambas de base sistêmica.

“Construí cada projeto à medida que fui reconstruindo a minha própria vida”, conta.

“Receber a cadeira de alguém tão marcante para a história da terapia familiar me preenche de um profundo senso de responsabilidade. Firmo o compromisso de honrar e dar continuidade a quem veio antes de mim e de contribuir para a construção de famílias, relações e uma sociedade mais saudável: um mundo melhor para nós e para as futuras gerações. Sigo comprometida com a evolução da ciência, da saúde, da humanidade, do empoderamento feminino, da construção de famílias saudáveis e de um novo mundo”, afirma.

A responsabilidade da cadeira

Parte da produção de Elaine está disponível no canal do Instituto AlmaÚnica no YouTube e em participações como a de um podcast recente. Para a psicóloga, que tem a saúde mental das mulheres como eixo do trabalho, ocupar a cadeira de Satir significa levar esse conhecimento além do consultório.

“Conhecimento só ganha sentido quando transforma vidas. Conhecimento sem decisão de mudança e ação nesta direção não gera novos resultados”, resume.

Tags