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Frete para o Mercosul: contratar por trecho sai mais barato na cotação e mais caro na fronteira

Publicado em 26/10/2026 13:20

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Frete para o Mercosul: contratar por trecho sai mais barato na cotação e mais caro na fronteira -  (crédito: PulseBrand)
Frete para o Mercosul: contratar por trecho sai mais barato na cotação e mais caro na fronteira - (crédito: PulseBrand)

Quando uma empresa contrata o transporte de carga para o Mercosul, há casos em que o trecho brasileiro e o internacional são negociados separadamente, cada um pelo menor preço disponível. O orçamento parece vantajoso, mas deixa de fora custos que só aparecem depois: as horas gastas no transbordo, o risco de avaria na troca de veículo, a armazenagem enquanto um papel é corrigido e as diárias de um caminhão retido na fila da aduana por um erro criado a mil quilômetros dali.

Lucas Vidal Cardoso, da Interlink Cargo, transportadora com matriz em Cachoeirinha (RS) e filial em Uruguaiana, que opera há mais de 30 anos entre o Brasil, a Argentina, o Chile, o Uruguai e o Paraguai, vê na divisão um problema de planejamento. “A Duimp não cria um problema novo. Ela mostra, com data marcada, um problema antigo: a carga que atravessa a fronteira foi planejada em dois pedaços, por gente que não conversou”, afirma.

Como funciona a contratação por trecho

Nesse modelo, a viagem tem duas metades. Ele aparece, por exemplo, nas cargas negociadas no Incoterm FCA, em que o exportador entrega a mercadoria ao transportador indicado pelo comprador num local combinado. A primeira transportadora retira a mercadoria na indústria, em São Paulo, no Paraná ou na Serra Gaúcha, e a deixa num terminal próximo à fronteira; a segunda, habilitada pelo Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT), assume a carga com o CRT e o MIC/DTA. Na importação, o mais comum é a carga vir direto, sem essa divisão.

Cada metade tem seus próprios documentos (nota fiscal e CT-e no Brasil, CRT e MIC/DTA no trajeto internacional), além de seguro, prazo e responsável distintos. A emenda entre elas é o transbordo, onde peso, descrição e volume podem deixar de coincidir.

O que muda em dezembro e em 2027

Em 1º de dezembro, segundo o Comunicado Siscomex Sistemas nº 015/2026, a importação rodoviária deve passar a correr só pelo CCT Importação e pela Duimp. Com isso, manifesto, dados da Duimp e catálogo de produtos do importador precisam chegar coerentes à fronteira, e um manifesto inconsistente tende a reter a carga justamente onde cada hora parada pesa mais.

No ano seguinte, a reforma tributária muda a conta do frete, sobretudo na importação. A lei que a regulamenta dá imunidade de IBS e CBS ao transporte vinculado à exportação, mas não traz regra equivalente para a carga que chega: no transporte iniciado no exterior, o fato gerador ocorre no fim da viagem, já no Brasil.

“Na importação, o frete nacional, que hoje não tem tributação, vai passar a ser tributado. E a reforma vai impactar a importação mesmo quando não há transbordo. Na exportação, a implicação é menor, não há tanto risco”, diz Vidal.

O que avaliar antes de fechar

O comprador precisa comparar mais do que preços. Integrar os trechos não exige que um único caminhão faça todo o percurso; exige um planejamento único, em que nota, conhecimento de transporte, manifesto e declaração aduaneira saem da mesma base de dados e são conferidos antes da partida.

“O dado que sai na nota da fábrica tem que ser o mesmo que chega no manifesto da fronteira. Quem corrige documento na aduana já perdeu o dia, às vezes a semana. Planejar a carga inteira, da coleta à entrega, é o que impede que a fronteira vire o lugar onde se descobre o erro”, afirma.

Outro critério é a responsabilidade. Quando um só operador coordena os dois trechos, ninguém precisa passar a carga adiante no meio do percurso. Esse é o modelo da Interlink, que roda com frota própria da coleta à entrega, dos dois lados da fronteira, soma desembaraço aduaneiro e armazém geral e tem certificação de Operador Econômico Autorizado na modalidade Segurança (OEA-S) desde 2023.

“Dezembro vai separar quem tratou a Duimp como troca de sistema de quem tratou como mudança de processo. Troca de sistema se resolve com treinamento. Mudança de processo exige que o trecho nacional e o internacional sejam pensados juntos, e isso não se faz em uma semana”, diz Vidal.

No papel, o frete por trecho pode seguir parecendo a escolha mais econômica. A fatura completa chega à aduana, e, a partir de dezembro, o novo sistema dá menos margem para acertar divergências no meio do caminho.

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