
Na hora de tirar um projeto de inteligência artificial do papel, uma das primeiras decisões da empresa é quem vai construí-lo. Os dados disponíveis apontam numa direção: segundo relatório da iniciativa NANDA, do MIT, parcerias com fornecedores especializados dão certo em cerca de 67% dos casos, e os projetos tocados só pela equipe interna alcançam um terço desse índice.
O número, porém, não resolve sozinho a escolha. Contratar fora só faz diferença quando o parceiro chega com método, e é nessa frente que a Crosoften, empresa brasileira de engenharia de software fundada em 2003, concentra sua aposta: prazo fechado, segurança jurídica e retorno medido. “A maioria dos projetos de IA não falha por causa do modelo. Falha porque começou sem escopo, sem dono e sem um contrato que proteja as duas partes”, afirma Rafael Melo, diretor técnico da empresa.
A decisão ganhou urgência. Levantamento da ABES feito com dados da IDC mostra que agentes de IA e IA generativa são hoje a prioridade de 53% dos executivos brasileiros. O pano de fundo, no entanto, é de frustração: o próprio estudo do MIT indica que 95% dos projetos corporativos de IA generativa não entregam ganho mensurável de receita ou eficiência, e a Gartner estima que mais de 40% das iniciativas de IA agêntica serão canceladas.
O que pesar na escolha do parceiro
O modelo adotado pela Crosoften ajuda a montar um roteiro de avaliação para quem vai contratar. O fornecedor investiga o problema antes de apresentar preço? Assume escopo, valor e prazo por escrito? Vincula os pagamentos às entregas? Trata a proteção de dados desde o início, ou deixa o tema para o fim? As respostas dizem mais sobre a chance de sucesso do que a ferramenta escolhida.
Contrato antes da primeira linha de código
Na Crosoften, a contratação já nasce amarrada a regras. Tudo começa com um acordo de confidencialidade (NDA). Em seguida, um diagnóstico técnico e de riscos mapeia o problema, e só então a empresa apresenta a proposta, com escopo, preço e prazo definidos por escrito. Os pagamentos são feitos por etapa, o projeto fica pronto, em média, em 60 dias e o que é entregue tem garantia de cinco anos contra bugs e defeitos de desenvolvimento. “Funcionamos como uma empreiteira de projetos digitais: a obra só sai do papel com o projeto fechado”, compara Melo.
Para o executivo, o prazo curto funciona como filtro contra projetos que viram laboratório. “Prazo fechado obriga disciplina. Em 60 dias não cabe experimento sem fim. Cabe um problema real resolvido”, diz.
Escala técnica e governança
A capacidade de entrega é outro ponto a pesar. A empresa começou em 2003 como um portal de buscas e de publicidade online e, em duas décadas, mudou de natureza: hoje cria aplicativos, plataformas web e sistemas de inteligência artificial sob encomenda, com uma estrutura de cerca de 800 desenvolvedores. Com operação no Brasil, no Chile e no Panamá, atende clientes em mais de 10 países e soma mais de 2.500 projetos entregues. A companhia foi avaliada em mais de R$ 120 milhões.
A governança completa a conta. Um agente de IA trabalha com informação de clientes, decide e mexe em processos da empresa. Por isso, a Crosoften coloca especialistas em direito digital e em adequação à LGPD no projeto desde o primeiro dia. Não é detalhe: entre as razões que a Gartner lista para o cancelamento de iniciativas de IA agêntica está a falta de controles de risco adequados.
A régua da decisão
Para quem está diante da escolha, a pergunta que define o fornecedor também mudou. “A inteligência artificial deixou de ser vitrine. O executivo hoje não pergunta se dá para fazer; pergunta em quantos meses o projeto se paga”, diz Rafael Melo. De acordo com a Crosoften, os projetos dirigidos a rotinas internas, pensados para cortar retrabalho e erro humano, costumam se pagar, em média, em três meses.
Desenvolver dentro de casa continua sendo um caminho possível. Mas os números do MIT indicam que a chance de acerto é maior com um parceiro especializado, desde que o contrato venha antes do código e o retorno seja medido desde o começo.