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Blockchain em certificações: o que o registro comprova e o que cabe à avaliação

Publicado em 27/10/2026 17:06

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Blockchain em certificações: o que o registro comprova e o que cabe à avaliação -  (crédito: PulseBrand)
Blockchain em certificações: o que o registro comprova e o que cabe à avaliação - (crédito: PulseBrand)

O registro em blockchain tem sido associado a certificações empresariais como sinal de confiabilidade, mas a tecnologia cumpre uma função delimitada. Na certificação Q-ESG, concedida pela LAQI (Latin American Quality Institute), o registro público em blockchain permite rastrear a emissão do certificado. A análise das práticas da organização segue outro percurso: o processo de avaliação Q-ESG, conduzido com base em norma própria.

A distinção é relevante para quem contrata. Ao receber uma proposta acompanhada de uma credencial, o comprador tem duas verificações a fazer: confirmar que o documento é autêntico e está vigente e compreender o que, de fato, foi examinado na empresa fornecedora.

O que o registro permite verificar

A organização aprovada pode inserir o link de verificação da credencial no site, em apresentações institucionais e em propostas comerciais. Por esse caminho, o contratante dispõe de uma referência para checar a autenticidade e a vigência da certificação, sem depender apenas da declaração do fornecedor. A aprovação também dá direito a selos digitais com prazo de vigência.

“Quem compra precisa entender por que escolher a sua empresa. Nossa proposta é ajudar o empresário a demonstrar a gestão que sustenta aquilo que ele oferece”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, fundador e CEO da LAQI.

O que a avaliação examina

O exame de mérito obedece à Norma Q-ESG, composta por 20 indicadores distribuídos em quatro dimensões: qualidade, ambiental, social e governança. Os critérios podem ser consultados antes da contratação. A LAQI estrutura o atendimento em 22 setores e informa um mapeamento de 135 segmentos, com exigência de evidências proporcionais à atividade e ao porte de cada organização.

O resultado é consolidado no Reporte Q-ESG por indicador, que inclui recomendações capazes de orientar ações sobre atrasos, retrabalho e atendimento. Para as empresas classificadas em Diagnóstico, a Norma prevê reapresentação gratuita no mesmo ciclo, entre o 180º e o 270º dia após o resultado.

Os números do programa indicam que a certificação não é automática. Segundo o relatório público, nos ciclos de 2024 e 2025, 477 de 770 candidaturas foram consideradas elegíveis para validação, e 293 ficaram em Diagnóstico, com recomendações de aprimoramento.

Informação legível para pessoas e sistemas

A credencial se insere no que a LAQI denomina tese de legibilidade: a empresa deve organizar informações claras e referências verificáveis para ser compreendida tanto por pessoas quanto por sistemas de inteligência artificial. Como cada ferramenta de IA adota fontes e critérios próprios, a responsabilidade inicial do empresário é tornar sua informação acessível e consistente.

Na avaliação de Da Costa, esse trabalho parte de questões práticas. “O empresário pode começar hoje por uma dificuldade concreta, reunir os registros e definir a melhoria que quer alcançar”, diz ele. “Quando chegar a próxima negociação, terá mais clareza sobre o que faz e sobre como apresentar esse valor.”

A referência verificável ganha uso em diferentes etapas da relação comercial: na pesquisa que o comprador faz sobre o fornecedor, na análise de uma proposta e nas conversas iniciais com potenciais parceiros. Em cada uma delas, o interessado pode consultar a certificação diretamente, sem intermediários.

Para quem analisa uma certificação registrada em blockchain, a leitura completa considera as duas etapas. O registro e o link de verificação permitem rastrear a emissão e confirmar autenticidade e vigência. A norma e o processo de avaliação definem o que foi examinado e em que nível a gestão da empresa atendeu aos critérios estabelecidos.

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