
Em auditorias e processos de acreditação, a capacitação da equipe de uma instituição de saúde é avaliada pelo que pode ser demonstrado: quem fez cada curso, em qual unidade e dentro de qual prazo. Com a agenda de segurança do paciente ganhando novos marcos regulatórios em 2026, esse registro passou a ser tratado como informação de gestão por hospitais, laboratórios e operadoras.
O LMS (Learning Management System, ou sistema de gestão de aprendizagem) da Inspand, empresa de educação corporativa, dá a dimensão desse volume. A plataforma registra mais de 690 mil cursos concluídos em 2026 por mais de 180 mil profissionais da saúde, média superior a 3,8 conclusões por pessoa. O número indica desenvolvimento recorrente, e não apenas usuários cadastrados em um sistema. O volume acompanha o tamanho do setor: segundo o IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), a cadeia produtiva da saúde encerrou 2024 com 5,1 milhões de trabalhadores formais.
O marco regulatório de 2026
No início de 2026, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2026-2030, alinhado ao plano global da OMS (Organização Mundial da Saúde). Entre os objetivos do documento está promover a adesão às práticas e à cultura de segurança nos serviços. Material apresentado pela agência em webinar sobre os dez anos do sistema nacional de notificações recomenda às instituições capacitações regulares sobre cultura de segurança e identificação de incidentes.
O contexto inclui um volume crescente de registros. Levantamento da ONA (Organização Nacional de Acreditação) com dados da Anvisa mostra que as notificações de eventos adversos na assistência passaram de 368.028 em 2023 para 425.951 em 2024 e 480.283 em 2025. Mais de 202 mil dessas notificações foram feitas pelos próprios profissionais de saúde.
A conclusão como dado de gestão
Para a Inspand, o indicador relevante para o gestor é a conclusão, mais do que a quantidade de horas oferecidas. “Hora de treinamento mede esforço. Na saúde, o gestor precisa saber quem concluiu, em qual unidade e dentro de qual prazo, porque essa informação conversa com auditoria, acreditação e qualidade assistencial”, afirma Cristiano Franco, CEO da Inspand.
O detalhamento desse registro é o que permite usá-lo na tomada de decisão. “Cada conclusão gera um registro que o gestor consegue cruzar por unidade, função e prazo. É esse dado que mostra onde a capacitação avançou e onde precisa de reforço”, explica Gustavo Marson, CTO da empresa.
Uma carteira com exigências distintas
As organizações atendidas pela Inspand no setor operam sob regras e rotinas diferentes. Entre elas estão a Saúde Petrobras, o ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), o Hospital Pequeno Príncipe, a Amil, a Unimed Paraná, o Hermes Pardini, a FCB Saúde, a MedForYou, a FQM e o Sindusfarma.
“A educação corporativa na saúde ficou grande demais para caber só no RH. Ela passou a ser uma ferramenta da operação”, diz Franco.
Orçamento previsto e prestação de contas
O tema também aparece no planejamento das empresas em geral. A 20ª edição da Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), ouviu 443 empresas e apontou que 89% delas têm orçamento anual de T&D (treinamento e desenvolvimento) definido, com média de 26 horas de treinamento por colaborador em 2025, ante 24 horas em 2024.
Para comprovar o treinamento da equipe em uma acreditação, portanto, a instituição precisa de um registro que vá além da lista de cursos oferecidos: conclusões identificadas por profissional, unidade e prazo, mantidas de forma contínua. É esse histórico que transforma a capacitação em evidência.