
A reforma da Vila Belmiro, estádio do Santos, tem uma engenharia financeira própria. Segundo o Grupo CPR, empresa de engenharia e incorporação que projeta e executa o retrofit, o pagamento não sai do caixa do clube.
Como funciona
A obra é financiada por um fundo criado junto ao Santos especificamente para esse fim. O fundo se remunera com as receitas futuras de locação e venda dos camarotes, que estão entre as estruturas em construção. O valor do contrato é mantido em sigilo pelas partes.
“O próprio ativo que estamos construindo é o que paga a obra”, diz Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.
Segundo Ceni, a estrutura financeira foi desenhada por Júnior Bozzella, assessor especial da presidência do clube, e o projeto tem o aval do presidente Marcelo Teixeira.
Quem faz a obra
O Grupo CPR assina os projetos arquitetônico e estrutural, desenvolvidos em BIM, e executa e gerencia os trabalhos, da coordenação de fornecedores à fabricação das estruturas metálicas. A legalização junto à prefeitura é conduzida pelo próprio clube. Fundado pelo engenheiro civil Marlon Ceni, o grupo atua há mais de 15 anos em engenharia e incorporação e trabalha com construção, manutenção e facilities para clientes públicos e privados.
O que está sendo construído
Inaugurada em 1916, a Vila Belmiro completou 110 anos em 12 de outubro. O retrofit prevê 72 camarotes novos, a demolição e a reconstrução das arquibancadas dos setores 8 a 16 em estrutura metálica pré-moldada, a ampliação das arquibancadas inferiores, a reforma do 4º pavimento das cativas, novo telhado, elevadores e escadas, a troca do gramado e um museu com experiências interativas. Com tudo pronto, a capacidade deve passar de pouco mais de 16 mil para até cerca de 25 mil lugares, segundo o grupo, e a entrega completa está prevista para novembro de 2027. Segundo a empresa, já foram entregues a reforma do 4º andar das cativas e o reforço estrutural emergencial dos setores 8 a 11.
Obra com o estádio aberto
O estádio segue em uso durante a obra, e o clube continua mandando seus jogos na Vila, com cronograma por setor e montagem das estruturas fora do estádio. “O Santos não para de jogar em casa durante a obra, então cada frente é planejada para não interferir no dia a dia do clube”, afirma Ceni.
Para a empresa, a obra pesa além do contrato. “Poucos clubes no mundo têm a história que o Santos tem, e a gente carrega a responsabilidade de preservar essa história sem comprometer o futuro do clube”, diz o executivo.
Para clubes que precisam modernizar o estádio sem comprometer o caixa, o caso da Vila mostra um caminho: atrelar o pagamento a receitas que a própria reforma cria. Na Vila, essas receitas são as dos camarotes.