
Na medicina estética, é comum o paciente chegar ao consultório com o nome de um produto em mente. Para o médico Aihan Kirchhoff, fundador da AionClinic, no Itaim Bibi, em São Paulo, a ordem deveria ser a inversa: primeiro a indicação, depois a técnica. A avaliação ganhou reforço em 2026, durante um curso de educação médica continuada da Harvard Medical School sobre lasers, tecnologias e terapias injetáveis.
O curso reuniu médicos de diferentes países em ambiente acadêmico independente, sem patrocínio da indústria. Para preservar a imparcialidade e evitar conflitos de interesse, não era permitido citar marcas ou produtos comerciais. A discussão se concentrou em ciência, técnica e indicação.
O que muda para o paciente
Na visão do médico, o paciente deve compreender qual procedimento é indicado para sua necessidade, quais evidências científicas sustentam o uso e qual profissional tem conhecimento e experiência para realizá-lo. A boa prática, segundo ele, parte da avaliação criteriosa de cada caso e da escolha do tratamento mais adequado, e não do produto.
Associação de recursos
Essa lógica sustenta a principal tendência da área: a combinação de procedimentos em um programa individual. Fazem parte do planejamento categorias de injetáveis como preenchedores, bioestimuladores de colágeno, biorrevitalizadores e toxina botulínica, associadas a tecnologias com evidência científica, como o ultrassom micro e macrofocado e as radiofrequências.
“O resultado não está em um procedimento isolado, e sim na combinação deles. Não vem de um produto milagroso, vem do planejamento: escolher o que cada pessoa precisa, em que ordem e em que momento”, explica.
Os dados globais ajudam a dimensionar esse mercado. De acordo com a Pesquisa Global da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), a toxina botulínica foi o procedimento não cirúrgico mais realizado no mundo em 2025, com 7,3 milhões de aplicações feitas por cirurgiões plásticos, seguida pelo preenchimento com ácido hialurônico, com 4,7 milhões. O mesmo levantamento registrou queda de 25% nos tratamentos com ácido hialurônico, tanto entre homens quanto entre mulheres. O Brasil aparece em segundo lugar no total de procedimentos, com 3,2 milhões, e em primeiro nos cirúrgicos, com 2,3 milhões.
Execução sem avaliação
Kirchhoff também alerta para o atendimento centrado apenas na execução, que diz observar no exterior e no Brasil. “Técnica é fundamental, mas não basta. Quando o foco é só executar o procedimento, sem olhar para o indivíduo, para o resultado final, para o risco de uma cicatriz, é aí que aparecem os exageros.”
Os protocolos autorais que ele desenvolveu para o corpo, os métodos Bumbum Aion, Body HD Aion e NOLT Aion, seguem o mesmo princípio ao associar injetáveis a tecnologias como campo eletromagnético, ultrassom micro e macrofocado e radiofrequências. “Cada paciente tem uma anatomia e um objetivo. O método é um planejamento, não uma receita pronta.”
Atualização permanente
Além do curso em Harvard, o médico esteve em 2026 no AMWC, em Mônaco, um dos congressos de medicina estética mais relevantes do mundo, e visitou a Clinique La Prairie, em Montreux, na Suíça. “A cada congresso e curso fora do país, eu confirmo o quanto o Brasil está atualizado. Muito do que é apresentado lá como novidade já faz parte da rotina dos bons consultórios brasileiros.”
Para Kirchhoff, procedimentos estéticos combinados funcionam quando partem de uma indicação individual sustentada por evidência científica, com a escolha de cada recurso, a ordem e o momento definidos na avaliação médica, independentemente da marca do produto.