
O mercado de bem-estar abriu espaço para práticas ligadas a tradições e saberes ancestrais. De acordo com o Global Wellness Economy Monitor 2025, do GWI (Global Wellness Institute), o segmento de medicina tradicional e complementar, que reúne práticas holísticas e tradicionais, movimentou US$ 605,6 bilhões no mundo em 2024, com projeção de crescimento de 10,8% ao ano.
É nesse contexto que atua a Santa Frescura, marca brasileira de banhos energéticos com dez anos de atuação. A empresa desenvolve composições que aproximam o conhecimento tradicional das ervas de uma apresentação contemporânea, pensada também para o consumidor que quer incorporar pequenos rituais à rotina.
Um segmento em formação
À frente da marca estão Tais Amante e Andhy Oca, sacerdotes, sócios e entusiastas de um segmento que denominam Wellness Espiritual. O trabalho envolve pesquisa de ingredientes, desenvolvimento de formulações e valorização dos conhecimentos populares relacionados às plantas, etapas que estruturam o portfólio da empresa.
A procura tem base cultural. No Brasil, os banhos de ervas fazem parte de práticas populares, de conhecimentos transmitidos entre gerações e de religiões de matriz africana, e seguem entre os rituais mais procurados na passagem de ano. Levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) sobre a virada para 2026 mostrou que 40% dos brasileiros que planejavam comemorar a data se declaravam adeptos de simpatias, e 41% pretendiam usar branco na noite.
Lançamento ligado ao calendário
A passagem de ano é o momento escolhido pela marca para seu lançamento mais recente. Para 2027, a Santa Frescura apresenta o Começos, banho composto por 11 ervas, entre elas catingueira, romã, laranja, anis e macela, desenvolvido para representar simbolicamente a abertura de um novo capítulo. A formulação busca reunir diferentes referências tradicionais do universo dos banhos e das práticas populares de renovação, combinando ervas já associadas à prosperidade e à alegria a uma espécie ainda pouco conhecida do grande público.
A escolha do ingrediente central reflete o posicionamento do produto. Em vez de recorrer apenas às ervas mais conhecidas, a empresa apresenta novas espécies ao mercado todos os anos e explica seus fundamentos no guia de ervas disponível no site. Em 2027, a escolhida é a catingueira, que a Embrapa Semiárido (unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) descreve como espécie nativa endêmica da Caatinga.
Biodiversidade nacional no portfólio
A aposta acompanha um movimento de valorização de ingredientes brasileiros e de saberes ligados à biodiversidade do país. Na leitura da marca, a catingueira, associada à resistência da flora nordestina, representa a força necessária para iniciar uma nova jornada, mensagem que se reflete no próprio nome do produto.
O Começos reúne, assim, três frentes do negócio: o conhecimento popular sobre as plantas, a apresentação contemporânea do produto e a data em que o consumidor mais busca rituais de renovação.
Para quem acompanha o mercado de wellness espiritual no Brasil, o caso mostra como uma marca do segmento combina tradição popular, calendário sazonal e ingredientes nativos para se posicionar em um setor de bem-estar cujo recorte de medicina tradicional e complementar, segundo o GWI, tem projeção de crescimento anual de 10,8%.