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Com IA nas bases de dados, controle da informação pesa na escolha do software

Publicado em 05/11/2026 18:21

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Com IA nas bases de dados, controle da informação pesa na escolha do software -  (crédito: PulseBrand)
Com IA nas bases de dados, controle da informação pesa na escolha do software - (crédito: PulseBrand)

A inteligência artificial já faz parte da operação de 95% das empresas brasileiras, mas só 48% delas afirmam ter dados bem estruturados e governados. Os números são de pesquisa da IDC (International Data Corporation) encomendada pela ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) e divulgada em agosto de 2026, com 107 decisores de TI de companhias com mais de 100 funcionários.

A distância entre o uso da tecnologia e a organização das bases traz uma pergunta para quem contrata software: onde a informação fica guardada e quem pode acessá-la. Em setores regulados, ou quando a carteira de clientes é o principal ativo, a resposta passou a influenciar a escolha entre uma ferramenta de mercado e um sistema próprio, sobretudo desde a entrada em vigor da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Dado estratégico como critério

A Crosoften, engenharia de software brasileira fundada em 2003, inclui a sensibilidade dos dados entre os cinco sinais que, em sua avaliação, separam os dois caminhos. Com mais de 2.500 projetos entregues e cerca de 800 desenvolvedores, a empresa nasceu como portal de buscas e hoje desenvolve aplicativos, sistemas e inteligência artificial para organizações de diferentes portes. Opera no Brasil, no Panamá e no Chile e, em 2026, consolida a expansão para os Estados Unidos.

“Ninguém deveria começar um projeto sob medida porque acha a ferramenta pronta cara. O ponto é outro: quando o seu jeito de operar é o que faz o cliente escolher você, encaixá-lo num sistema genérico é abrir mão da vantagem”, afirma Rafael Melo, CEO da Crosoften.

Os demais fatores da decisão

Além do controle sobre a informação, a companhia considera quatro critérios. O primeiro é o peso do processo na competitividade: soluções prontas são desenhadas para o caso médio e atendem bem rotinas executadas da mesma forma em qualquer empresa, mas tendem a nivelar por baixo quem se diferencia justamente pelo modo de operar.

O segundo é o custo de contornar o sistema contratado, com planilhas paralelas, retrabalho e consultorias de adaptação. “Muita empresa já paga por um software sob medida sem perceber. Só que paga em horas da equipe, todos os meses”, diz Melo. O terceiro é a assinatura que cresce mais rápido que o negócio, já que licenças cobradas por usuário ou por consumo encarecem conforme a empresa contrata e vende mais.

O quarto é a integração. Quando vários sistemas não se comunicam, boa parte do trabalho de tecnologia vai para mover informações entre eles, com risco de duplicação ou perda pelo caminho. Para Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo Mercado Brasileiro de Software 2026, as empresas brasileiras passaram a investir menos para digitalizar e mais em busca de retorno, integração entre tecnologias e racionalização de custos.

Quando a solução de mercado é suficiente

A Crosoften não recomenda desenvolver tudo. Rotinas padronizadas, negócios ainda em validação e operações sem orçamento para manutenção contínua costumam ser mais bem atendidos pela ferramenta de mercado. “Sob medida não é sinônimo de melhor. É a escolha certa quando o software vira parte do produto ou da forma de competir”, resume o CEO.

Contratação com escopo fechado

Para reduzir o risco de um projeto próprio, a empresa define escopo, preço e prazo antes do desenvolvimento. O processo começa com acordo de confidencialidade e diagnóstico, segue com proposta fechada e prevê entregas em ciclos de 60 dias, em média, com pagamento por etapa e garantia de cinco anos contra bugs e defeitos de desenvolvimento.

Para empresas que lidam com informação sensível ou aplicam inteligência artificial sobre suas bases, ter software próprio faz sentido quando o controle sobre os dados é parte da forma de competir. Identificar antes quais processos e bases são estratégicos ajuda a separar o que pede desenvolvimento sob medida do que pode seguir em ferramenta de mercado.

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